Notícias
UFDPar avança com RNP em projeto de conectividade e abre caminho para uma Universidade Inteligente
A Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPar) avança, em articulação com a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), na realização de uma prova de conceito de nova tecnologia de conectividade sem fio no campus de Parnaíba. A iniciativa é resultado de um trabalho desenvolvido há aproximadamente um ano entre a Pró-Reitoria de Tecnologia da Informação e Comunicação (PROTIC/UFDPar) e a RNP, dentro das ações voltadas à modernização da infraestrutura tecnológica e à transformação digital da Universidade.
O projeto prevê a implantação da tecnologia FWA (Fixed Wireless Access – Acesso Fixo Sem Fio), solução que utiliza redes sem fio para ampliar as possibilidades de acesso à infraestrutura de conectividade, que permitirá à UFDPar utilizar a tecnologia como uma nova geração de conectividade para complementar a infraestrutura já existente no campus.
A iniciativa já havia sido anunciada pelo diretor de Engenharia e Operações da RNP, Eduardo Grizendi, durante o Fórum RNP. Mais recentemente, o projeto ganhou nova visibilidade nacional durante o MVNO Experience 2026, realizado em São Paulo, no dia 22 de setembro, quando Grizendi apresentou o avanço das provas de conceito que a RNP prepara para o Nordeste.
De acordo com reportagem publicada pelo Mobile Time, a RNP prepara duas novas provas de conceito de FWA envolvendo Claro e Brisanet. Os ambientes indicados são a UFDPar, em Parnaíba (PI), e o Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), em São Miguel (RN), com expectativa de realização ainda em 2026.
Confira a matéria do Mobile Time sobre o anúncio no MVNO Experience 2026
Segundo Grizendi, os testes com FWA buscam experimentar a entrega sem fio da rede acadêmica da RNP. A organização também vem evoluindo a arquitetura da solução para permitir que o equipamento seja conectado diretamente ao ponto de presença (PoP) da rede no campus.
Para o reitor da UFDPar, Prof. Dr. João Paulo Sales Macedo, o principal benefício está em ampliar as possibilidades que a conectividade oferece à comunidade acadêmica.
A UFDPar possui infraestrutura de conectividade que atende a comunidade acadêmica, e a implantação do 5G representa um novo avanço. Essa tecnologia amplia o uso da conectividade, em soluções que demandam maior mobilidade, respostas mais rápidas, transmissão de grandes volumes de dados e conexão simultânea de muitos dispositivos. Para nossos estudantes, professores e pesquisadores, isso significa poder desenvolver, testar e validar, na Universidade, produtos e soluções que utilizem essas características, aproximando os projetos acadêmicos de situações reais de aplicação. Mais do que ampliar o acesso à rede, estamos criando novas condições para o ensino, a pesquisa, a extensão e a inovação. Esse avanço também abre o caminho para uma Universidade Inteligente, na qual infraestrutura e tecnologia se articulam para melhorar a experiência da comunidade acadêmica e apoiar o desenvolvimento de novas soluções.”
Essa evolução também se relaciona a um processo mais amplo de transformação digital da UFDPar.
Uma Universidade Inteligente não é construída apenas com uma tecnologia. Ela surge da integração progressiva entre infraestrutura de conectividade, sistemas, dados, dispositivos, inteligência artificial e automação.
A conectividade constitui uma das bases desse ecossistema. À medida que diferentes equipamentos e ambientes passam a poder se comunicar, novos dados podem ser produzidos. Integrados aos sistemas institucionais e analisados por ferramentas computacionais e inteligência artificial, esses dados podem apoiar decisões e permitir, progressivamente, novas formas de automação e gestão da infraestrutura universitária.
Para o Pró-Reitor de Tecnologia da Informação e Comunicação da UFDPar, Prof. Dr. Silmar Silva Teixeira, é nesse contexto que a iniciativa vem sendo trabalhada junto a RNP.
“Esse projeto vem sendo construído junto à RNP há aproximadamente um ano e faz parte de uma visão de longo prazo para a transformação digital da UFDPar. A conectividade é uma das bases desse processo, e a experimentação do 5G acrescenta uma nova camada tecnológica que poderá ampliar a integração entre sistemas, dados, dispositivos e infraestrutura. A direção que temos da Reitoria é avançar de forma progressiva na conectividade, na integração de tecnologias e no uso de dados, inteligência artificial e automação. O papel da PROTIC é preparar essa base com segurança, governança e capacidade de evolução, contribuindo para a construção de uma Universidade cada vez mais integrada, eficiente e inteligente.”
Nessa perspectiva, a experimentação do 5G passa a integrar um conjunto mais amplo de iniciativas e infraestruturas que, de forma progressiva e articulada, dão suporte à transformação digital da UFDPar. Cada uma dessas camadas cumpre uma função e, quando integradas, ampliam a capacidade da Universidade de desenvolver soluções e tornar seus ambientes e serviços mais inteligentes.
A prova de conceito de FWA representa, portanto, uma etapa de experimentação tecnológica que permitirá à UFDPar avaliar, em seu próprio ambiente, as possibilidades de aplicação do 5G e sua integração à infraestrutura de conectividade já existente. Mais do que a adoção de uma nova tecnologia, a iniciativa cria condições para que a Universidade conheça, teste e identifique, na prática, como essa conectividade pode contribuir para suas atividades acadêmicas e para o avanço de sua transformação digital.
A iniciativa da UFDPar também está inserida em uma estratégia mais ampla da RNP para ampliar as possibilidades de conectividade nas instituições de ensino e pesquisa. Durante o MVNO Experience 2026, Eduardo Grizendi destacou que a RNP continua trabalhando no projeto de uma operadora móvel virtual própria, com a perspectiva de proporcionar conectividade a pesquisadores, professores, estudantes e dispositivos. Segundo o diretor, mais do que ampliar o número de usuários conectados, a proposta é compreender quais aplicações desenvolvidas nas universidades e centros de pesquisa podem efetivamente se beneficiar das redes móveis — objetivo que também orienta a experimentação prevista na UFDPar.